
Nos últimos dez anos, Monte Horebe (PB) viveu emoções intensas. Em fevereiro de 2016, o município se tornou assunto nos quadros que denunciam corrupção no programa Fantástico, da rede Globo. Não havia dinheiro nem para as despesas básicas e, claro, a educação não era exceção.
Hoje, dez anos depois, o município é referência em educação. Mas isso não aconteceu da noite para o dia. Foi fruto de um esforço contínuo das gestões que se sucederam e entenderam que a transformação vem, claro, da continuidade desses esforços, mas também do investimento correto dos recursos financeiros e, principalmente, dos recursos humanos. Faz parte de um entendimento de que o foco deve ser não só nos alunos, mas também na formação continuada de professores. É aí que o IBS entra nessa história, primeiro com suas formações gratuitas em formato EaD (Ensino à Distância) e, desde 2025, com formações presenciais.
Dessa forma, o município garante não apenas formações que tragam novas propostas de atividades práticas em sala de aula, mas também dando um novo significado ao “fazer pedagógico”, como a gestão têm sempre reforçado dentro de sua rede. E tudo isso sem custo para o município, que pode alocar seus próprios recursos na forma de remunerar seu corpo docente.
Assim, o EaD se tornou parte vital desse processo, pois os certificados emitidos pelo IBS representam uma métrica importante na forma de recompensar os profissionais da educação. Essa política pública resultou em uma Lei Municipal de 2025, que trata do novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) de Monte Horebe, tendo como base a Lei Federal do Piso Nacional para Professores.
“A lei anterior já previa essa carga horária de 250 horas de formação, onde o professor passava a ter uma valorização maior no seu salário e na sua carreira. Porém, por incentivo do IBS e pela grande oferta de cursos com 30 e 40 horas, decidimos diminuir a carga horária dos cursos aceitos na política pública para permitir que a soma dessas cargas horárias chegasse nesse total de 250 horas de formação”, explica Márcia Nogueira, da Secretaria de Educação.
O resultado foi um grande engajamento nas formações EaD, professores mais valorizados e o ensino no município se beneficiando como um todo, trazendo novas ideias e criando projetos que corrigem deficiências e promovem o protagonismo dos alunos. Na tabela ao lado, podemos ver como esse impacto se resume em números. Agora, nas contratações de novos professores pelo município, um dos critérios do edital é justamente o EaD do IBS.
Mas é importante entender quais são os ganhos pedagógicos que essa política proporciona. Sendo assim, nas páginas seguintes, traçaremos um panorama completo alguns desses projetos e aprendizados que têm impulsionado a educação de Monte Horebe.
Entrevista
Márcia Nogueira: ‘Existe uma Monte Horebe antes e outra depois do Instituto’
As histórias de Monte Horebe e do Instituto se cruzaram quando Márcia Nogueira aceitou o convite da UNDIME/PB e decidiu, lá em 2021, fazer o curso de Introdução à Educação Financeira. A partir dali, nada mais seria como antes. “O curso estava diretamente ligado à proposta pedagógica que desejávamos colocar em prática nas escolas de Monte Horebe e não sabíamos como”, explicou ela, no informativo Educação Financeira em Foco (edição de fevereiro de 2024).
A partir dessa formação, não apenas a proposta dos jogos educativos foi incorporada à rede municipal, como todas as outras sete áreas temáticas trabalhadas pelo Instituto. O Dia D da Educação Financeira, o projeto 30 Minutos pela Leitura e as formações continuadas do EaD do IBS foram totalmente abraçadas e integradas ao calendário do município. Nessa entrevista, Márcia detalha melhor como se deu esse “casamento” entre Monte Horebe e IBS.
Entrevista – Márcia Nogueira, Técnica da Secretaria de Educação de Monte Horebe
Márcia, queria que você explicasse um pouco como é que vocês veem essa parceria estratégica com o IBS e de que forma o poder público pode trabalhar junto com as organizações sociais.
A parceria trouxe um novo olhar de como construir as nossas políticas públicas. Monte Horebe tem conseguido crescer, se desenvolver e construir um caminhar na nossa educação inspirado nos projetos, nas formações EaD e essa perspectiva de construir uma cidade educadora, onde todos os espaços da nossa cidade têm se tornado espaços educativos. Tudo isso só está sendo possível porque tivemos o Instituto Brasil Solidário como parceiro e como inspiração. Vocês nos levaram a acreditar em sonhos e a entender que é possível tornar esses sonhos realidade. Estamos vivendo a realização desse grande sonho de ver nossa educação pública com qualidade, com equidade, com inclusão e com justiça social.
O que mudou na educação e no processo pedagógico de vocês? Como a biblioteca, os jogos e as formações mudaram o dia a dia das escolas?
Mudou toda a nossa metodologia e todo o nosso processo pedagógico dentro das escolas. O projeto 30 Minutos pela Leitura transformou nossos projetos de leitura em praça pública e acabou envolvendo não só as escolas, mas como toda a comunidade, que passou compartilhar essas práticas com a leitura e o meio ambiente. Tudo isso de forma lúdica, criativa e com protagonismo dos nossos estudantes. O São João Literário também mudou o modo de fazer o nosso São João aqui na serra e tivemos várias escolas premiadas. Outra transformação foi com a doação dos acervos literários, que passou a envolver não só os profissionais e os nossos estudantes, mas também os pais e a nossa comunidade. Na Educação Financeira tem o dia D e a OLITEF. Hoje nós temos vários alunos envolvidos nas diversas Olimpíadas de Matemática. Tivemos aluno medalha do ouro, de prata, de bronze, e isso tem inspirado os nossos estudantes a quererem cada vez mais participar dessa mobilização. Hoje os alunos são protagonistas.
O que você vê diferencial no Instituto? O que motiva vocês a estarem fortes com a gente nessa parceria?
Nós podemos descrever Monte Horebe de duas formas. Antes de conhecer o Instituto; e depois de fazermos essa parceria. Antes havia formação? Sim, mas as formações eram de certa forma vazias, não tinham sequência, não tinha um respaldo que desse aos nossos profissionais uma segurança e uma sequência do fazer pedagógico faltado em conhecimentos que trouxessem criatividade, dinamismo, pesquisa e mais confiança. Depois do Instituto tudo mudou, tudo se transformou. Nós passamos a construir uma perspectiva de educação de forma mais alinhada, mais organizada. Nosso compromisso aumentou porque tinha ali alguém que estava vendo o nosso trabalho e reconhecendo esse trabalho. Isso não existia antes. Quando a educação traz uma alegria, uma inspiração, uma mobilização, traz uma força para todos que fazem juntos, estamos mandando a mensagem de que o que estamos fazendo está sendo visto e reconhecido. Mudou até no sentido de entender a proposta de cada projeto, porque passamos a ter mais planejamento, ter metas bem estabelecidas, elaborar projetos com mais autonomia, com mais conhecimento e baseado dados. Antes a gente não tinha muito essa preocupação de construir uma educação a partir de dados e de um diagnóstico da nossa realidade. Passamos a construir um diagnóstico, a pegar esses dados, a sentar, a ouvir, a compartilhar esses problemas, os desafios e pensar em propostas que nos levassem a avançar, a elevar nossos alunos ao seu nível de conhecimento e envolvimento. Tudo isso tem transformado o fazer pedagógico da gestão educacional, dos professores e até a vivência e a prática dos alunos. Se você chegar em qualquer escola de Monte Horebe, em qualquer sala de aula, todos eles vão saber falar das contribuições e daquilo que o Instituto trouxe de mudança para a nossa cidade e para a nossa educação.
E planos para o futuro?
Antes, o grande sonho era ter essas ações presenciais com formação para educadores, que conseguimos realizar em 2025 e 2026. O nosso grande sonho agora é uma ação presencial com oficinas para os alunos.


