André Neves: ‘As oficinas do IBS influenciam meu trabalho criativo’

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A parceria entre o Instituto e André Neves em ações presenciais se iniciou de fato em 2024, mas a relação começou muito antes disso, pois seus livros não só já integravam o acervo no IBS, como também já circulavam em grupos de leitura e outras ações na área de Incentivo à Leitura. Hoje, sua oficina de Criação de Livro Ilustrado é uma das mais queridas nas ações presenciais com professores, e esse contato com o público leitor acaba refletindo nas criações do autor.

Na entrevista a seguir, o autor reflete sobre o poder transformador da literatura, a formação de leitores e a parceria com o IBS. 

O que essa experiência presencial com o IBS representa para você? 

Tem sido uma experiência muito rica, tanto como mediador de leitura quanto como escritor e ilustrador. Ao percorrer diferentes cidades, consigo perceber as particularidades de cada contexto e como a literatura dialoga com essas realidades. Além disso, essa troca influencia diretamente o meu próprio trabalho criativo, porque me coloca em contato com diferentes formas de ler, interpretar e sentir as histórias. Cada encontro é uma troca profunda de experiências e de afetos. Eu levo minha vivência como autor, mas recebo histórias, perspectivas e olhares que ampliam minha própria compreensão do mundo. Volto sempre abastecido, tanto criativamente quanto humanamente. Minhas histórias nascem das experiências do cotidiano, de memórias antigas ou de momentos inesperados que despertam o imaginário. Transformo essas vivências em narrativa. 

Você já tinha experiência em escolas públicas antes do IBS? 

Sim, atuo na literatura há mais de 30 anos e sempre estive presente em escolas, encontros literários e formações. Mas o IBS tem um diferencial muito marcante, a forma estruturada e profundamente humana com que atua. Não se trata apenas de uma visita do autor, mas de um projeto que envolve formação de professores, fortalecimento das bibliotecas e acompanhamento das práticas pedagógicas. Isso torna o trabalho muito mais consistente e transformador. 

Como foi representar a literatura brasileira em ações internacionais do IBS? Qual a sensação de ver seus livros expostos em bibliotecas fora do país? 

O mais marcante foi perceber que os livros brasileiros já estavam presentes nas bibliotecas antes mesmo da minha chegada. Ou seja, eu não estava apresentando algo desconhecido, mas dialogando com leitores que já tinham contato com nossas histórias. Isso mostra a força da literatura brasileira e o alcance do trabalho do Instituto. Chegar a uma biblioteca referência e encontrar meus livros em destaque, ao lado de outros autores brasileiros, me deu a dimensão do impacto cultural desse trabalho. A literatura é uma forma de apresentar o Brasil ao mundo, mostrando nossa identidade, nossa forma de pensar e sentir. 

O que mais te marca nas ações realizadas nos municípios brasileiros? O que você percebe nos professores durante as oficinas? 

O que mais me toca é a chegada a regiões distantes dos grandes centros, onde muitas vezes o acesso à leitura é mais limitado. Nessas localidades, percebo uma sede muito grande de conhecimento e de partilha. Quando oferecemos ferramentas e possibilidades, vemos um crescimento imediato. Percebo um engajamento enorme, uma sede de aprender e multiplicar conhecimento. Isso é transformador. Percebo que muitos talentos já estão ali, apenas esperando uma oportunidade para florescer. Quando abrimos espaço para a criação e para a experimentação, os olhos brilham. A frase que mais escuto é: “Vou fazer isso com meus alunos”. Isso demonstra que o professor é um multiplicador potente, capaz de levar adiante tudo o que vivencia na formação. 

Qual é o diferencial do IBS nas escolas públicas? 

O Instituto não realiza apenas uma ação pontual. Ele cria estrutura, oferece formação continuada e garante acervo de qualidade. A implantação de bibliotecas e o suporte permanente fazem toda a diferença. O professor não fica sozinho após a formação, ele tem recursos e acompanhamento. Isso fortalece o trabalho pedagógico e amplia as possibilidades dentro da sala de aula. 

Que mensagem você deixa para educadores e para quem deseja trabalhar com criação literária? 

A leitura está presente na nossa vida o tempo todo. Ler amplia o pensamento, aprofunda a sensibilidade e transforma o olhar sobre o mundo. Quando compreendemos o processo de criação de um livro, nos tornamos leitores mais críticos e atentos. A escola precisa formar leitores da vida, e isso começa com acesso, incentivo e interesse genuíno pela literatura. 

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Gabriela Martins
Gabriela Martins
Assessora de Comunicação | @brasilsolidario

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