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Agnaldo Araújo: multiplicador de ações em Alto Paraíso de Goiás

Foi em 2011, que o educador Agnaldo Araújo, teve seu primeiro contato com as ações do Instituto Brasil Solidário, mobilizando seus alunos, motivando os professores e auxiliando em várias oficinas do Programa de Desenvolvimento da Educação – PDE/IBS, que chegava na Escola Municipal Povoado de São Jorge, localizada no Distrito de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás.

Como professor de português, artes, educação física e ciências na escola que seria a Base 1 do PDE, Agnaldo se tornou apoio importante em cada atividade, desde as ações de educomunicação, até as propostas de incentivo à leitura que ganharam forte participação dos alunos da escola. “O IBS chegou na escola em um momento crucial. Passávamos por um momento de desmotivação quase que coletiva, tanto por parte dos alunos, quanto por boa parte dos professores da época. Os alunos reclamavam bastante da falta de inovação nas aulas e os professores, da falta de envolvimento dos estudantes nas atividades propostas”, ressaltou.

Somando não só no apoio a equipe dentro das oficinas, Agnaldo trouxe para o trabalho pedagógico com os alunos, toda a sensibilidade de um educador apaixonado pelo poder de transformação da educação, e esteve perto em cada escolha das turmas para as formações, possibilitando que alunos considerados “problemas” em sala de aula, fossem direcionados para formações cheia de oportunidades de encantar, dar espaço para o protagonismo e fazer desses estudantes um elo fundamental para engrenar as atividades de mobilização e continuidade dentro da escola.

“Conseguimos encaixar estrategicamente 3 alunos que estavam em distorção de série, e eram taxados de “alunos problemas”. Os três se destacavam na escola pelo desinteresse, por sempre fugir da escola na hora do intervalo e por não ter boa relação com os colegas. De imediato um deles de 13 anos se apaixonou por fotografia e os outros dois (15 e 14 anos) se apaixonaram pela rádio. Decidi então que eles seriam o ponto central das atividades que passaríamos a desenvolver todos os dias”, recorda Agnaldo.

Com uma programação diária e condução dos próprios alunos, a rádio escolar se tornou um ambiente de motivação e produção criativa, que atraía alunos de todas as idades e debatia temas dos mais variados, desde programas de meio ambiente, esporte, rádio novelas, até a música e os recadinhos semanais que davam mais um espaço de voz para os estudantes.

“Esses dois ‘alunos problemas’ eram os responsáveis por coordenar a programação da rádio, e com isso mudaram totalmente o comportamento. Passaram a chegar 15 min antes do horário de entrada, não fugiram mais na hora do recreio (horário dos programas) e ficavam até depois do horário, fazendo vinhetas e mexendo nos programas que tinham aprendido”, enfatiza Agnaldo.

Para o educador, as ações realizadas pelo Instituto Brasil Solidário, mudaram a história de todos que participaram, e abriu caminhos para alunos e educadores mostrarem todo o seu potencial, seja nas artes, na fotografia, no incentivo à leitura, na educação ambiental ou até em projetos sociais, que hoje ele se mantém a frente e tem por perto os tais alunos que davam trabalho em sala de aula e agora, atuam como educadores e agentes de transformação nas atividades desenvolvidas no município.

“Atualmente, faço a Assessoria Pedagógica da Turma Que Faz, que é um projeto socioeducacional da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, um projeto que oferece várias capacitações na área de arte, cultura e meio ambiente, e hoje, dois dos professores em nossa turma, foram os estudantes ‘problema’ que tínhamos na escola, e agora atendem as crianças da vila e ensinam o que aprenderam com o IBS. Recentemente conseguimos autorização para termos uma rádio comunitária aqui na vila que será inaugurada dia 30 de abril, e um dos radialistas será o Jefferson, um dos estudantes capacitados pelo IBS”, destaca.

Segundo Agnaldo, a proposta educacional vista durante as oficinas, ampliou conhecimento de vida, além do profissional, que ele leva para as ações sociais na região, desde o aprendizado técnico do uso da tecnologia como uma ferramenta importante da educação, quanto o olhar delicado e sensível aos alunos envolvidos e a valorização da comunidade em que se encontram.

“Digo sem nenhuma dúvida que o IBS mudou os caminhos da educação aqui na vila de São Jorge. Eu particularmente, além de ter aprendido bastante com a equipe do IBS, fui muito impactado pelo Instituto porque eles despertaram em mim, um profissional que eu não sabia que era, eles viram em mim uma capacidade que nem eu sabia que tinha. E esse empoderamento é algo que carrego comigo pra sempre, depois do IBS, brinco que fiquei destemido de tal forma, que assumi cargos altos aqui no município, participei de outros projetos em outros lugares, através de indicação do Instituto, e tive a audácia de discursar para um teatro lotado de professores em Lençóis – BA através de um convite do IBS”, ressalta.

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