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Carpe diem literário, contra o conformismo

Outro dia revi, depois de muitos anos, o filme Sociedade dos Poetas Mortos, onde Robin Williams faz um professor de literatura que rompe com os padrões rígidos de ensino dos anos 1950 e usa a poesia para inspirar seus alunos. Pode servir muito bem a professores que estão em busca de ideias para suas aulas, pois não é só um filme sobre literatura ou poesia. Ancorado pela expressão “carpe diem” (“aproveite o dia”), o ideal que move o professor é o de transformar seus alunos em livre-pensadores. É fazê-los abandonar o conformismo, enxergar as coisas por outro ângulo e “extrair a essência da vida”, como ele diz.

Uns podem refutar a sugestão, argumentando que o filme termina em tragédia. Para mim, tragédia é viver numa sociedade que pensa por procuração. Salvo raras (e heróicas) exceções, ainda somos um povo cheio de falsas certezas e que compra a versão oficial sem maiores reflexões. Aqui temos a péssima tradição de não questionar, e pior: quando o fazemos, é na base do xingamento e da difamação.

Quando falo em questionar, não me refiro só a políticos, não. Falo de mim, de você, dos poderosos, das celebridades, da sociedade, de nossas famílias, de nossas crenças e verdades. Tudo e todos podem, devem ser questionados. Ninguém é inatingível. Nem mesmo figuras que consideramos nossos ídolos. Quem gosta de MPB deve ter ficado perplexo com as atitudes autoritárias dos medalhões da MPB, que querem barrar quaisquer biografias que possam ser escritas sobre eles. E o motivo é o mais mesquinho possível: grana.

É em momentos assim que o livre-pensamento se torna tão vital quanto o ar que respiramos. Foi uma lufada de oxigênio lembrar do que vi no II Encontro Amigos do Planeta. Vi cabeças fervilhando de ideias novas e disposição para todo tipo de reflexão. Vi novas formas de contar histórias às crianças, oficinas e saraus literários de toda espécie, 30 Minutos de Leitura e os escambau. Leitura deve ser a única coisa que não tem qualquer contraindicação. Faz bem até em excesso.

Hoje os coronéis da MPB e da política podem até conseguir censurar blogs, jornais e livros, mas eles não poderão controlar os pensamentos das gerações que estão descobrindo agora o prazer de ler. Se meus cálculos estiverem corretos, daqui a 20 anos, essa garotada vai dar um pé na bunda desse provincianismo que nos rege e vai querer fazer melhor. Talvez até resolvam biografar algumas dessas figuras que se acham acima de qualquer crítica. A ver. Por ora, um carpe diem literário para todos nós!

Imagem de Amostra do You Tube

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