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Dica Pedagógica IBS – Um olhar para inclusão escolar

A inclusão é um movimento mundial de luta das pessoas com deficiências e seus familiares na busca dos seus direitos e lugar na sociedade.
Mas o que é de fato a inclusão? O que leva as pessoas a terem entendimentos e significados tão diferentes? Cabe aqui tecer algumas reflexões, pois dessa forma estaremos contribuindo para uma prática menos segregacionista e menos preconceituosa.
Leide-010A importância da inclusão escolar
O princípio fundamental dessa iniciativa está baseado em um direito de todo ser humano: o acesso à educação.
Além disso, a inclusão escolar nos espaços de estudo regulares é importante para o desenvolvimento socioemocional e psicológico das crianças com necessidades especiais.
A legislação brasileira (LDBEN 9394/96) busca garantir que a inclusão escolar permita que as crianças que apresentam algum tipo de necessidade especial, possam se socializar, desenvolver suas capacidades pessoais e aprimorar sua inteligência emocional.
Leide- 013O acesso à escola não só promove o desenvolvimento pessoal, mas também é uma ferramenta social importante para os relacionamentos interpessoais.
As escolas que promovem a escolarização de todos de maneira efetiva, auxilia para que esses alunos sejam capazes de aprender e serem autônomos — algo importante para melhorar a autoestima e estimular a busca de uma profissão.
Vale ressaltar que a inclusão escolar também promove uma ampla reflexão sobre a diversidade e respeito que são temas importantes para a construção de uma sociedade e cidadãos emocionalmente mais saudáveis.
Leide- 011Recusar-se a ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) é crime: todas as instituições devem oferecer atendimento especializado, chamado de Educação Especial.
No entanto, o termo não deve ser confundido com escolarização especial, que atende os portadores de deficiência em uma sala de aula ou escola separada, apenas formadas de crianças com NEE. Isso também é ilegal.
O artigo 208 da Constituição brasileira específica que é dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”, condição que também consta no artigo 54 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
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Que benefícios a inclusão traz a alunos e professores?
A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos.
A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade.
Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação.
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O que faz uma escola ser inclusiva?
Em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão. Diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados.
A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem.
Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma.
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As ferramentas pedagógicas
Os benefícios em inserir as crianças com necessidades especiais em ambientes escolares regulares são enormes, desde que haja recursos para que elas tenham condições de desenvolver o aprendizado.
Para criança com deficiência intelectual, existem diversas ferramentas pedagógicas que auxiliam na aprendizagem como jogos e a literatura infanto-juvenil.
Ou seja, é primordial trabalhar com uma ferramenta pedagógica que busca atender as necessidades de todos os alunos.
Experiências de inclusão com os jogos de educação financeira “Piquenique e Bons Negócios em Cascavel/CE
EF002Crianças com deficiência são beneficiadas quando frequentam uma escola regular, onde recebem informações iguais as recebidas pelos colegas, mesmo que tenham um tratamento diferenciado e, onde terão condições propícias para construir uma posição subjetiva que dê conta da alteridade.
Uma vez que é função da escola colocar limites, interditar, mostrar a lei da sociedade. E, dessa forma estará contribuindo para uma melhor qualidade de vida a essas pessoas.
EF-001Além dos conceitos de economizar, das reflexões sobre finanças e aprender a  enfrentar diferentes desafios os Jogos de Educação Financeira Piquenique e Bons Negócios proporcionam a Escola:
  •  Criar uma comunidade inclusiva;
  • Promover o sentimento de pertencimento;
  • Facilitar a aproximação das crianças, favorecendo a amizade entre os alunos, desenvolver a colaboração entre pais e professores e entre professores e outros membros da escola.
  • Apoiar e incentivar comportamentos positivos em todos os alunos e não apenas naqueles que demonstram comportamentos inadequados ao ambiente escolar, evitando punições e expulsões.

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Experiências com o Projeto Foto Escrita – IBS “Educação não tem cor” na Escola Desembargador Pedro de Queiroz em Beberibe/CE
Abordando a temática contra o preconceito, o Projeto Foto Escrita – IBS esbanjou muita criatividade e sensibilidade dos alunos conseguindo integrar a temática nos mais variados gêneros textuais, os alunos apresentaram poesias, textos narrativos e dissertativos com teor forte e reflexivo, apontando suas próprias vivências escolares.
Num cenário de muita sensibilidade e interação dos alunos com a temática proposta, o resultado, despertou um ganho coletivo de cidadania e diálogo sobre um assunto presente e preocupante no âmbito escolar.
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Durante cada apresentação, as produções apontavam para a importância de trazer para a sala de aula, o debate contra o racismo e todas as formas de discriminação, seja promovendo palestras, rodas de conversa, ou mesmo utilizando das ferramentas pedagógicas de ensino dentro do currículo escolar.
A mensagem de igualdade, respeito ao próximo, protagonismo e união em uma escola sem preconceitos do projeto, foi desenvolvido em parceria com o trabalho realizado pelo Projeto “Beberibe Multicor – Um movimento por uma infância sem racismo”, o Instituto Brasil Solidário – IBS inseriu de vez o tema em todas as Oficinas Práticas do PDE, incluindo a turma de Educomunicação, responsáveis pelas lindas fotografias que inspiraram as produções textuais para o Projeto Foto Escrita  na Escola Desembargador Pedro de Queiroz.
Confira um texto dos textos finalistas do Projeto Foto Escrita – IBS
Autora: Vitória Nogueira (8° ano)
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Educação não tem cor e não tem gênero
Infelizmente o preconceito é um problema que se tornou comum, hoje. Inclusive, o preconceito com a cor da pele. Um dia desejamos ser melhor que alguém e no outro, alguém deseja ser melhor que a gente. Queremos ter mais que alguém, alguém quer ter mais que a gente. O fato de se acharmos melhor ou querermos ser melhor, já virou costume. E não apenas por diferença de cores, de classe social, mas até por conta de nossas escolhas pessoais.
É triste quando vemos no jornal, por exemplo, que várias e várias transexuais são mortas ou torturadas. Diferenças todos nós temos, mas há pessoas que não aceitam isso. Todos nós somos iguais ou temos os mesmos direitos, eu acredito.
O fato de hoje você ter uma condição financeira melhor que a do seu vizinho, não torna você melhor que ele e nem melhor que ninguém e você não pode querer “passar por cima” de ninguém por conta disso.
Se as leis no Brasil fossem mais jutas e mais organizadas, talvez esse problema diminuísse. Provavelmente haveria menos mortes e violência. Mas até lá, devemos manter a esperança e nos fazer diferente dessas pessoas, tratando todos com respeito e dignidade.
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“O Projeto Foto Escrita, permite instigar nos alunos o gosto pela escrita e pela leitura através da análise perceptiva de uma imagem, valorizando o potencial que cada aluno tem e, diante disso, encontrar meios para que a prática da escrita e da leitura seja prazerosa, apontado os valores culturais e a ludicidade como um caminho a ser explorado para alcançar tal objetivo”.
Leide- 013
O imaginário da inclusão na Literatura Infanto-Juvenil
Falar em imaginário da inclusão, não só em literatura, pressupõe o sentido ideológico oposto de exclusão, que hegemonicamente permeia as relações humanas, refletindo-se em manifestações artísticas e da cultura em geral. Tanto é verdade, que só questionamos sobre inclusão em função de situações concretas de exclusão de várias ordens e de causas tão diversas sejam elas: econômicas, políticas, religiosas, deficiências entre outras.
O livro é aquele brinquedo,
por incrível que pareça,
que, entre um mistério e um segredo,
põe ideias na cabeça.
Maria Dinorah
A breve incursão em textos literários infanto-juvenis representativos do imaginário de inclusão não significa limitar o potencial simbólico das obras a um sentido restrito, já que isso significaria um estreitamento da leitura em detrimento de sua utilização com intenções meramente didáticas ou moralizantes.
Assim, procuramos mostrar que, sem prescindir dos aspectos lúdico, maravilhoso e encantatório, a literatura vai além de sua primordial função estética — consolidada na obra como objeto de prazer e de entretenimento —, revelando-se como formadora de uma consciência crítica e ampliadora da visão de mundo do leitor, aspectos que, despretensiosamente, correspondem às funções social e cognitiva da literatura, como nos sugere o poema de Maria Dinorah, em epígrafe.
Entre outras obras, apresentamos:
• O clássico Flicts, de Ziraldo;
• O amigo do rei, de Ruth Rocha;
• Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado;
• Pinote, o fracote e Janjão, o fortão, de Fernanda Lopes de Almeida;
• Joana banana, de Cristina Porto;

• Três velhinhas tão velhinhas, de Roseana Murray.

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Na diversidade de temas e motivações dessas obras, vislumbramos um ponto em comum no que concerne ao sentido de inclusão, representado de forma peculiar em cada uma delas.
O mérito do verdadeiro artista é saber representar aspectos universais inerentes à condição humana sem eclipsar o encanto, o prazer e a singularidade da experiência estética. Através da vivência lúdica, brincante, criativa, mágica, quanta coisa “séria”, racional, lógica, filosófica se aprende de forma espontânea, integrando-se naturalmente à nossa personalidade. Tudo isso pode acontecer quando lemos ou escutamos uma história, ou quando nos deleitamos com a poesia em quaisquer de suas formas de expressão.
Partindo dessa premissa, trabalhamos sempre como a dimensão estética da literatura nos sensibiliza, fazendo-nos refletir sempre sobre o tema da inclusão.
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A importância de avaliar as atividades
É preciso pensar no objetivo final de cada proposta educacional e avaliar se o aluno conseguiu atingir esse objetivo.
Assim, caso o objetivo pedagógico não tenha sido alcançado, o educador e a escola possam pensar em outros métodos para atingi-lo.
Uma escola que promove a formação humana pensando nas diferenças é sem dúvida uma boa iniciativa para a construção de uma sociedade menos excludente e mais justa.
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Para concluir
Transformar a escola em um espaço inclusivo significa contribuir para que todas as crianças cresçam com valores de respeito ao outro e às diferenças.
Portanto a inclusão depende de mudança de valores da sociedade e a vivência de um novo paradigma que não se faz com simples recomendações técnicas, como se fossem receitas de bolo, mas com reflexões dos professores, direções, pais, alunos e comunidade.
Contudo essa questão não é tão simples, pois, devemos levar em conta as diferenças. Como colocar no mesmo espaço demandas tão diferentes e específicas se muitas vezes, nem a escola especial consegue dar conta desse atendimento de forma adequada, já que lá também temos demandas diferentes?
E é bom lembrar que as diferenças se fazem iguais quando essas pessoas são colocadas em um grupo que as aceite, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao próximo, com todos tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas oportunidades diante da vida.
A nossa dica pedagógica de hoje é também um convite a uma reflexão sobre a inclusão escolar.
Compartilhe conosco suas experiências de inclusão.
Juntos Construímos!

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