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Uma ilha de prosperidade no Maranhão

O Estado do Maranhão é um dos mais pobres do Brasil. É o que apontam todos os estudos feitos sobre o tema. É lá onde encontramos os maiores índices de desigualdade e um dos menores IDH’s (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Apesar de tudo, presenciei em Balsas uma história que rema contra essa maré e vale contar aqui.

Situada ao sul do Estado, Balsas é uma cidade relativamente grande, com uma população de cerca de 90 mil habitantes. O IDH é considerado médio para os padrões brasileiros, mas a infraestrutura é precaríssima, mesmo na região central. Quando nos afastamos do centro em direção à Escola Mariinha Rocha, salta aos olhos a extrema pobreza naquela vizinhança. Nenhuma rua é pavimentada e os buracos mais parecem crateras. Lixo, mato e esgoto se espalham por todos os lados. Uma imagem triste de se ver. Até aí, é o mesmo Maranhão descrito pelos estudos.

Chegando na escola, a sensação foi a de passar por um portal que nos levou para outra dimensão. A escola era limpa e organizada. O grafite nos muros mostrava uma simpatia com as artes e os pneus usados como vasos de plantas eram um convite à sustentabilidade. Logo à frente, havia uma moçada que podia estar na rua fumando crack, mas disputava um animadíssimo jogo de vôlei numa quadra de areia.

Hora de ver a biblioteca. Dizem que se você quiser conhecer uma escola, vá à sua biblioteca. Pois fui e vi o extremo cuidado com que os livros foram catalogados e organizados. A impressão foi realçada quando constatei que aquela é a única sala que possui ar condicionado. Mesa de estudos, cantinho da leitura, tudo ali parecia fazer daquele o espaço mais aconchegante e importante da escola.

Ao percorrer as prateleiras, não pude deixar de notar alguns títulos de grandes autores como Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca e Manuel Bandeira. Mas queria destacar aqui Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal. Preciso comentar a ironia de ver um livro que descreve as piores práticas políticas do século XX numa biblioteca no Maranhão? Ironia ainda maior foi ver um titulo do grande Millôr Fernandes por ali. Para quem não sabe, Millôr era o maior algoz de nosso ex-presidente e “imortal” da ABL.

Mas a maior surpresa se encontrava ao lado da sala dos professores. Num país com índices tão altos de impunidade como o nosso, abrir as contas ao público se tornou o grande desafio brasileiro depois das manifestações de 2013. Pois a Escola Mariinha Rocha deu o exemplo, colocando os gastos todos discriminados num mural. Não estão lá apenas para professores e alunos verem, mas qualquer visitante de fora.

Como nada é perfeito nesse mundo, são visíveis as marcas da violência gravadas nas portas das classes, que ainda precisam ser trancadas com cadeados. Algo que esperamos que não seja necessário no futuro.

Ainda assim, o conjunto da obra impressiona, pelo que a diretoria e os professores conseguiram fazer com tão poucos recursos e uma infraestrautura tão modesta. Para não deixar nenhuma dúvida de que, muito mais do que dinheiro ou a boa vontade do governo, uma escola se faz antes de tudo com pessoas comprometidas. No meio das disputas políticas e dos enormes problemas que Balsas tem a enfrentar, a Escola Mariinha Rocha é uma ilha de desenvolvimento e prosperidade e serve como modelo de gestão para todo o setor público.

1 comentário

  1. ANGELINA

    DR E DRA MAKNAVICIUS VCS SAO O ORGULHO DA MINHA VIDA

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