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Menos jeitinho, mais educação

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Quais são os assuntos que dominam as rodas, saraus e seminários promovidos pelo IBS? Mais leitura, mais educação, mais inclusão, menos injustiças. Todas causas nobilíssimas, que contam com o apoio irrestrito de todos aqui, certo? Certo. Porém, semana passada saíram duas matérias que mostraram que nosso caminho nessa estrada pode ser ainda mais longo do que se imagina.

A primeira é que mais de 2 mil políticos eleitos em 2012 foram flagrados recebendo Bolsa Família. Prefeitos, vereadores, assessores, aspones, cunhados, amigos e apaniguados recebendo salário da prefeitura e ainda mordendo uma graninha de programas sociais do governo. Isso não é só um retrato de nossa malandragem e o pouco caso com a coisa pública. Primeiro de tudo, é a total distorção do que deveria ser o Bolsa Família, que é o de combater a extrema pobreza. E segundo, mostra como muita gente por aí se candidata apenas para “se encostar numa sombra”, como se o serviço público fosse uma semi-aposentadoria.

Para quem esteve em Lençóis em setembro, esse foi um dos tópicos que mais reforcei em minha palestra: uma população que vota sem pesquisar, que “vota no mais bonito”, que dá voto em troca de favores, acaba elegendo esse tipo de gente e dando um cheque em branco na mão dele. As consequências de um voto irrefletido são sempre devastadoras.

E já que falamos em educação, que tal essa matéria da BBC, que mostra como a “Geração Diploma” não consegue preencher as vagas disponíveis no mercado de trabalho? Mais uma prova contundente de que não adianta ter mais universidades se o ensino é ruim. Se o governo estivesse mesmo empenhado em melhorar a educação, perceberia que o problema começa lá do ensino básico. Por enquanto, o que o Brasil tem feito é acabar com analfabetismo formando analfabetos funcionais. Gente que até sabe escrever o nome e ler frases simples, mas não consegue interpretar um texto. Inclusão por si só não resolve o problema, embora os governantes nos vendam isso como se fosse “um grande passo”. Não. Nós podemos fazer muito melhor do que isso.

Pra fechar, uma reflexão: se o prefeito ou o vereador de sua cidade forem alguns desses 2 mil apontados na matéria acima, é certo que a educação em sua cidade ainda vai sofrer as consequências disso por um bom tempo. Cada um é livre para tirar as conclusões que quiser sobre o assunto, só não caiam na ingenuidade de achar que uma coisa não está umbilicalmente ligada à outra, tá bom?

Até a próxima!

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